PIB segue em alta, apesar da crise mundial
A economia brasileira cresceu mais do que o previsto no terceiro trimestre, ajudada pela demanda interna e por investimentos num período ainda pouco afetado pela piora da crise financeira global. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,8% no terceiro trimestre em relação ao segundo e 6,8% ante igual período do ano passado, a maior taxa desde o segundo trimestre de 2004, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira.
Economistas consultados pela agência inglesa de notícias econômicas Reuters previam expansão de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) na leitura trimestral e alta de 5,6% na comparação anual. A crise externa ganhou força apenas a partir da metade de setembro, com o colapso do banco de investimento Lehman Brothers. A partir daí, os sinais de recessão global começaram a aparecer --o que leva analistas a prever uma contração do PIB também no Brasil no quarto trimestre.
Nos últimos quatro trimestres, o país acumulou crescimento de 6,3%, o maior da série histórica iniciada em 1996. As previsões para 2008 giram em torno de uma expansão de 5%.
– Infelizmente, esses números excelentes (do terceiro trimestre), muito melhores do que qualquer um podia imaginar, são um retrato do passado – afirmou Joel Bogdanski, consultor de análise econômica do Itaú.
O dado não muda a aposta predominante no mercado de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai manter o juro básico em 13,75 por cento ao ano na quarta-feira.
– O normal diante de todo esse cenário é manter a Selic para aguardar dados mais conclusivos e acomodação do câmbio, mas espero que o Copom já dê algum sinal de corte à frente – comentou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.
Consumo em alta
Entre os componentes do PIB, o consumo das famílias cresceu 2,8% no terceiro trimestre ante o segundo e 7,3% frente a igual período do ano passado - a 20ª expansão consecutiva nesse tipo de comparação -, ajudado pela melhora da massa salarial.
A formação bruta de capital fixo - uma medida dos investimentos - avançou 6,7% na relação trimestral e 19,7% ano a ano. Esse aumento, segundo o IBGE, é "explicado principalmente pelo aumento da produção interna e da importação de máquinas e equipamentos". A indústria cresceu 2,6% sobre o segundo trimestre; o setor agropecuário expandiu-se 1,5% e o setor de serviços teve alta de 1,4%.
A taxa de investimento do país atingiu 20,4% do PIB no terceiro trimestre, a maior da série histórica para esse período. A preços de mercado, o PIB alcançou R$ 747,3 bilhões de julho a setembro.